Nem todo anime é só cenas fofas, lutas épicas ou jornadas inspiradoras. Ao longo dos anos, algumas obras ultrapassaram limites — e acabaram entrando, sem surpresa, para a lista dos animes mais polémicos já lançados.
Seja por violência gráfica, sexualização de personagens, temas sensíveis ou pura falta de noção, esses títulos provocaram debates intensos, censura em diversos países e reações emocionadas do público.
A seguir, veja 10 animes que geraram escândalos, choque e discussões acaloradas — e que, até hoje, seguem dividindo opiniões por onde passam.
1. Redo of Healer: vingança ou sadismo disfarçado?
Começamos com aquele que, sem dúvida, é um dos animes mais controversos dos últimos tempos. Redo of Healer acompanha a história de Keyaru, um curandeiro que, após anos de abuso, decide voltar no tempo para se vingar — e faz isso de forma brutal e perturbadora.
Ao longo dos episódios, a série exibe cenas explícitas de tortura, abuso sexual e violência extrema. O mais polêmico? O protagonista passa de vítima a agressor, tornando tudo ainda mais desconfortável.
Como era de se esperar, a reação foi imediata. A obra foi banida em vários países, e plataformas como Funimation e Crunchyroll se recusaram a exibi-la. Ainda assim, o anime conquistou uma base de fãs que insiste em defender sua “liberdade criativa”.
No entanto, para a maioria, o título é um exemplo claro de exploração extrema sob o disfarce de narrativa sombria.
2. Mushoku Tensei: quando a redenção vira desculpa
A proposta de Mushoku Tensei: Jobless Reincarnation parecia promissora à primeira vista. Afinal, trata-se de um homem fracassado que reencarna em um mundo mágico, com a chance de recomeçar do zero.
Contudo, o que parecia uma jornada de superação rapidamente se torna controverso. Isso porque o protagonista, mesmo em um corpo infantil, mantém sua mente adulta e passa a agir de forma inadequada com outras crianças e adolescentes.
A resposta do público foi intensa. A plataforma Bilibili removeu o anime da grade, marcas romperam acordos e a discussão sobre moralidade tomou conta das redes.
Embora o autor diga que Rudeus foi construído como um personagem imperfeito em busca de evolução, muitos consideram que o anime ultrapassou os limites do aceitável em diversas cenas.
3. Hetalia: Axis Powers: humor e tragédia não combinam
À primeira impressão, Hetalia parece uma comédia leve, que transforma países em personagens caricatos para retratar momentos históricos com humor.
Entretanto, o problema começa quando percebemos que essas caricaturas envolvem países como Alemanha e Japão — e os eventos da Segunda Guerra Mundial são usados como pano de fundo para piadas.
Naturalmente, a reação foi negativa. Coreia do Sul se manifestou contra o anime, protestando contra a forma como ele retrata a colonização japonesa. Como resultado, várias emissoras decidiram cancelar a exibição.
Ainda que a intenção fosse satírica, muitos consideram que a série banalizou tragédias históricas que, de fato, marcaram gerações. Nesse caso, o riso custou caro.
4. Interspecies Reviewers: comédia ou hentai disfarçado?
Esse aqui conseguiu chocar até os otakus mais experientes. Interspecies Reviewers tem uma premissa inusitada: um grupo de aventureiros viaja por bordéis de diferentes espécies e dá “notas” para os serviços prestados.
Apesar de se vender como comédia, o anime rapidamente mostrou ser algo muito mais próximo de conteúdo adulto explícito — para não dizer hentai. A exibição em horário regular pegou todos de surpresa.
Como resultado, a Funimation retirou o anime da plataforma após apenas três episódios. Além disso, emissoras japonesas cancelaram a transmissão sem aviso prévio.
Ainda assim, a obra conquistou um grupo fiel que a defende como “honesta sobre o que oferece”. Mas para o público geral, ficou a sensação de que houve falta de transparência.
5. Goblin Slayer: o choque que ninguém esperava
Logo no primeiro episódio, Goblin Slayer deixou os espectadores completamente atordoados. Isso porque, além do massacre gráfico de aventureiros iniciantes, o anime mostra uma cena de violência sexual extremamente explícita.
O detalhe mais criticado? A série foi lançada com classificação indicativa inadequada (PG-13), sem qualquer tipo de aviso sobre o conteúdo.
Diante da repercussão negativa, a Crunchyroll precisou incluir alertas de conteúdo e corrigir a classificação para TV-MA. A situação acendeu um alerta sobre responsabilidade editorial em plataformas de streaming.
Enquanto alguns defendem a brutalidade como parte da construção do universo sombrio, outros enxergam apenas uma tentativa de chocar por chocar.
6. School Days: de romance colegial ao terror psicológico
Ao que tudo indicava, School Days seria apenas mais um romance colegial com triângulo amoroso. No entanto, o que começou como drama adolescente rapidamente mergulhou numa espiral de traições, manipulação emocional e violência.
O final é um dos mais surpreendentes e sangrentos da história dos animes, a ponto de chocar até os fãs de thrillers psicológicos.
Para piorar, o episódio final estava programado para ir ao ar no mesmo dia em que ocorreu um assassinato real no Japão — cometido com um machado. Por respeito à vítima, as emissoras cancelaram a transmissão e, em seu lugar, exibiram imagens de um barco. Assim nasceu o meme “Nice boat”.
Por trás do meme, no entanto, permanece uma discussão importante: até que ponto o anime pode brincar com expectativas antes de se tornar perturbador?
7. Elfen Lied: poesia visual ou violência gratuita?
Elfen Lied, lançado em 2004, virou símbolo da estética ultraviolenta no anime. O primeiro episódio já apresenta uma sequência intensa de decapitações, sangue e mutilações, tudo isso acompanhado de uma trilha sonora quase poética.
A história de Lucy, uma mutante perseguida, toca em temas como preconceito, abuso e dor emocional. Por isso, há quem diga que a violência serve a um propósito narrativo.
No entanto, nem todos concordam. Para muitos críticos, o anime usa a dor como espetáculo, e várias cenas parecem existir apenas para provocar choque — e não reflexão.
Mesmo assim, Elfen Lied continua sendo referência quando o assunto é anime impactante e divisivo.
8. The Rising of the Shield Hero: escravidão romantizada?
No início da história, o protagonista é falsamente acusado de agressão sexual — o que, por si só, já gerou discussões. Porém, o ponto mais delicado surge quando ele compra uma escrava demi-humana, Raphtalia.
A relação entre eles é apresentada de forma emocional, o que leva muitos a interpretarem que o anime romantiza a escravidão, sem problematizá-la de fato.
De um lado, fãs alegam que isso reflete o contexto brutal do mundo fictício. Do outro, críticos apontam que a narrativa normaliza a prática, tratando como “necessária” para a sobrevivência.
É uma linha tênue — e, nesse caso, muitos acham que ela foi ultrapassada.
9. Gantz: niilismo, sexo e ultraviolência
Baseado no mangá de Hiroya Oku, Gantz já nasceu envolto em polêmica. A história é pesada: pessoas que morreram voltam à vida apenas para serem forçadas a participar de jogos mortais contra alienígenas.
A violência é gráfica, constante e brutal. Corpos explodem, são dilacerados e massacrados sem censura. Além disso, o anime sexualiza fortemente as personagens femininas, com ângulos e roupas que reforçam o desconforto.
Mais do que isso, Gantz apresenta uma visão cínica e sombria da humanidade — onde ninguém é totalmente bom e todos estão à beira da selvageria.
Apesar de ter fãs dedicados, é uma experiência intensa e muitas vezes exaustiva.
10. Boku no Pico: conteúdo inaceitável
Diferente dos demais, Boku no Pico não gera polêmica artística. Aqui não há espaço para debate: é um conteúdo inaceitável.
A série mostra a sexualização de menores, algo condenado por leis e por bom senso.
Infelizmente, a obra ficou “famosa” como piada entre otakus, sendo indicada de forma enganosa para novos fãs.
Esse tipo de normalização é extremamente perigosa. Boku no Pico não é um anime polêmico — é um erro que jamais deveria ter existido.
Conclusão: quando o anime ultrapassa todos os limites
Falar sobre os animes mais polémicos é, acima de tudo, refletir sobre os limites entre liberdade criativa e responsabilidade ética. Alguns títulos da lista buscaram provocar e discutir temas difíceis. Outros, no entanto, apenas chocaram — sem profundidade ou propósito.
Essas obras deixaram cicatrizes na comunidade otaku, dividiram opiniões e, em certos casos, expuseram falhas graves na indústria.
No final, cabe a cada espectador pensar: até onde o anime pode ir? E qual é o nosso papel como público diante disso?
E se você curte esse tipo de discussão mais aprofundada, vale a pena acompanhar o blog NerdHeroes — por lá, a gente analisa tudo com mais contexto, sem sensacionalismo e com aquele olhar de quem realmente ama cultura pop.






