Quem viveu os tempos de ouro de Resident Evil nos anos 90 sabe que alguns jogos conseguem ir além do susto fácil. Eles criam tensão, mistério, e uma atmosfera tão densa que dá pra cortar com a faca. Tormented Souls 2 é exatamente isso — e talvez até mais.
Com gráficos lindos, puzzles desafiadores e um clima assustadoramente familiar para quem cresceu na América Latina, o jogo chileno entrega o que muitos fãs achavam que tinham perdido: um survival horror raiz, denso, e com alma.
Dá pra jogar sem conhecer o primeiro?
Sim, e com gosto. Embora a história siga os passos do primeiro Tormented Souls, o novo game apresenta uma narrativa independente. Acompanhamos as irmãs Caroline e Anna Walker, que viajam até um convento na tentativa de encontrar respostas para os estranhos poderes de Anna — ela desenha acontecimentos que ainda vão acontecer. E é claro: nada naquele lugar é o que parece.
Mesmo com alguns clichês clássicos do gênero, a trama surpreende. Tem reviravolta, tem tensão, e tem aquele mistério que vai te empurrando pra frente. O melhor? O jogo oferece múltiplos finais, o que já garante um bom fator replay.
Atmosfera tensa, puzzles geniais e gameplay afiado
Se você é fã dos Resident Evil clássicos, prepare o coração: Tormented Souls 2 traz câmeras fixas, gerenciamento de recursos, e puzzles que exigem raciocínio real. Tem enigma com fita cassete, gravador de voz, e até situações que envolvem o uso do ambiente de forma criativa. Nada de soluções óbvias.
A jogabilidade tem seus ajustes: dá pra escolher entre o controle tanque e uma movimentação mais moderna, o que é ótimo pra agradar públicos diferentes. E um detalhe que muda tudo: a escuridão pode te matar. Literalmente. Você precisa manter uma fonte de luz por perto — o que significa abrir mão de carregar uma arma às vezes.
Isso cria uma tensão extra. Você escolhe: se protege da escuridão ou se defende dos inimigos?
Combate funcional e boas opções de armamento
Não espere um combate revolucionário, mas sim algo sólido. Armas de fogo improvisadas, opções corpo a corpo, inimigos variados e chefões com mecânicas próprias dão conta do recado. O destaque vai para o gerenciamento de munição: se usar sem pensar, vai acabar na mão nos piores momentos.
Dá pra melhorar as armas e explorar bastante. E o cenário é recheado de locais diferentes — desde ambientes urbanos decadentes até passagens religiosas bizarras, tudo com um pé na estética que mistura o sagrado e o grotesco.
Terror com sotaque latino e visual de respeito
Tormented Souls 2 é um caso raro de jogo que abraça sua identidade latino-americana. Mesmo se passando no Chile, a ambientação remete muito a cidades do interior do Brasil. Igrejas antigas, móveis escuros, imagens católicas distorcidas — é um terror que fala diretamente com o nosso imaginário.
A estética é um ponto altíssimo. Texturas realistas, cenários variados e um “mundo invertido” claramente inspirado em Silent Hill. Os gráficos são bonitos, sim, mas o mais importante: criam uma atmosfera pesada e memorável.
Só pecam um pouco nas animações faciais e em elementos mais dinâmicos. Nada que atrapalhe de verdade, mas fica o ponto de atenção.
Vale a pena jogar Tormented Souls 2?
Com certeza. Mesmo com alguns tropeços técnicos e uma história que podia ir um pouco mais fundo, Tormented Souls 2 é um verdadeiro presente para quem ama survival horror clássico. Ele sabe onde quer chegar, entrega uma experiência imersiva e mostra que ainda há espaço — e demanda — por esse tipo de jogo.
Se você curte resolver enigmas, sentir o coração bater mais forte em corredores escuros e mergulhar em histórias sinistras… esse é o seu jogo.







